Entenda como funciona a terapia-alvo no tratamento do câncer

Terapia de precisão é mais eficaz e poupa as células saudáveis. Com o aumento dos casos de câncer no Brasil e no mundo, a preocupação com o tratamento da doença se torna ainda mais importante. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), são estimados cerca de 600 mil novos casos da doença no país por ano, no biênio 2018-2019.

Entre as opções de tratamento mais conhecidas está a quimioterapia. Contudo, existem terapias mais inovadoras, como a terapia-alvo, que apesar de ser menos conhecida, se mostra mais eficaz no combate a alguns tipos de tumores e, em alguns casos, causa menos efeitos colaterais.

O câncer é um conjunto de doenças que ocorre quando as células crescem de forma rápida e desordenada, invadindo tecidos e órgãos. A divisão incontrolável e agressiva das células resulta na formação de tumores malignos que podem afetar uma ou mais regiões do corpo do paciente. As terapias usadas no combate à neoplasia visam controlar a divisão celular descontrolada, eliminá-las por completo do organismo ou estimular o sistema imunológico a agir mais agressivamente no combate aos tumores.

terapia-alvo é um dos tratamentos mais modernos no combate ao câncer, cujo mecanismo de ação consiste em atingir, principalmente, as células cancerígenas. Esse tipo de tratamento é a base da medicina de precisão.

“Os medicamentos utilizados na terapia-alvo são desenvolvidos a partir das descobertas de como as células cancerígenas interagem no organismo, possibilitando assim, o desenvolvimento de terapias mais eficazes que diminuem ou barram os efeitos causados por essas células em específico, afirma a chefe da Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Feira de Santana, Anna Paloma. “Outro ponto forte é que, por agir principalmente nas células cancerígenas, as células saudáveis não são tão afetadas como na quimioterapia”, completa.

Como existem diferentes tipos de câncer, descobertos em diferentes estágios, é fundamental o diagnóstico correto para o sucesso do tratamento. “No caso do câncer de pulmão, um dos tumores malignos mais incidentes do mundo, é importante fazer testagens específicas que indicarão o subtipo correto, facilitando assim, a indicação da melhor terapia”, explica a oncologista.

O câncer de pulmão é dividido em dois grupos: pequenas células (CPPC) e não pequenas células (CPNPC). Entre os subtipos de CPNPC, o adenocarcinoma representa 50% dos casos. Entre eles, existe um subtipo, mais comum em não fumantes, que ocorre a partir de mutações no receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Nesse caso, o tratamento mais indicado é a terapia-alvo, como o afatinibe, cuja eficácia foi comprovada pelo estudo clínico LUX-Lung 7.

“Esse estudo comprovou que pacientes tratados com o afatinibe apresentaram mais que o dobro da probabilidade de sobrevida e ausência de progressão da doença em dois anos, em comparação com a terapia-alvo de geração anterior“, afirma a Dra. Anna Paloma. Outro ponto positivo, é que a terapia-alvo afatinibe foi incorporada ao Rol de Procedimentos da ANS em janeiro de 2018, expandindo o acesso aos pacientes com plano de saúde, diagnosticados com adenocarcinoma de pulmão com mutação no EGFR.

A Dra. Anna Paloma explica que com o surgimento de novas terapias é imprescindível saber qual a melhor opção para cada tipo de câncer. “Enquanto a terapia-alvo é eficaz em alguns subtipos de câncer de pulmão, a quimioterapia é mais eficaz em outros“, afirma. É preciso consultar sempre o seu médico para entender qual é o melhor tratamento para cada paciente, de forma individualizada, mantendo a qualidade de vida.

Fonte: Global Agency of the Year, PRWeek

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