Novas coberturas no plano de saúde: Inclusão do Adalimumabe para o tratamento da hidradenite supurativa

Medicamento é o primeiro e único biológico indicado para o tratamento da doença no Brasil

Após a aprovação da Resolução Normativa (RN) nº 465/2021 pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no último dia 24 de fevereiro, o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS passará a ter 69 novas coberturas para os beneficiários dos planos de saúde. Com esta mudança, 50 medicamentos passarão a ser distribuídos pelas operadoras de saúde e 19 procedimentos como exames, terapias e cirurgias também serão incluídos.

Antes da aprovação do novo rol, foi realizada a consulta pública de nº 81 pela ANS que, em outubro e novembro do ano passado, solicitou a opinião de pacientes, médicos e da sociedade civil em geral a respeito da inclusão de novos procedimentos e medicamentos na cobertura mínima obrigatória para a rede privada.

Para o tratamento da hidradenite supurativa a atualização trouxe a inclusão do Adalimumabe, único medicamento da classe dos biológicos indicado para a doença atualmente no Brasil. Essa mudança é uma vitória para os pacientes, pois amplia e facilita o acesso ao tratamento para quem tem plano de saúde.

“O novo rol corrige uma distorção: o convênio médico é o que chamamos de ‘Saúde Suplementar’. Como ele não fornece, ao menos, as opções disponíveis no SUS? Com a inclusão, a ANS corrigiu isso, equiparando a hidradenite a outras doenças  para os quais o Adalimumabe já era previsto, como a artrite reumatóide”, afirma o Dr. Wagner Galvão, especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, professor da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e dermatologista no Hospital Alemão Sírio-Libanês.

O especialista relata que os pacientes com hidradenite que possuem convênio médico têm poucas opções de mudança no tratamento em caso de falha, pois os medicamentos via oral utilizados para a doença não contam com cobertura pelo plano de saúde. Sendo assim, estes medicamentos acabam sendo custeados pelo próprio paciente ou pelo SUS, onerando o sistema público de saúde.

O profissional ainda ressalta que apesar da inclusão do adalimumabe ser de grande ganho para os pacientes com hidradenite, os tratamentos a laser, por exemplo, são muito úteis nessa patologia e seguem sem fazer parte do Rol da ANS.

Além disso, ele acredita que o maior problema está na demora nas atualizações, levando em conta que a mudança está sendo feita individualmente por cada medicamento e não mais pelo contexto do tratamento da doença, como ocorria antes.

Anteriormente, o rol da ANS não limitava a aprovação de um medicamento em específico e deixava em aberto a possibilidade de liberação de diversos medicamentos que tivessem comprovação clínica para a doença. Com isso, quando um remédio novo demonstrava eficácia e tinha a indicação para tratamento da doença em questão, ele automaticamente já estava coberto nos planos de saúde.

A partir deste novo rol, isso muda e os pacientes vão enfrentar dificuldade para conseguir ter acesso aos novos medicamentos. “Vários remédios, que já conhecemos para outras doenças, terão indicação para hidradenite em breve, e terão de esperar para serem avaliados no próximo rol. Com isso, podemos ter atrasos de até dois anos para novas inclusões na ANS, o que atrasa e limita o tratamento dos pacientes”, explicou Dr. Galvão

Esperança para quem já estava desacreditado

Apesar disso, a inclusão do Adalimumabe no Rol da ANS é vista como “uma luz no fim do túnel” para pacientes como Alda Franco, que começou a apresentar os primeiros sintomas da doença aos 20 anos. Desde então, foram muitos anos e muitas consultas com profissionais diferentes até conseguir o diagnóstico correto, de hidradenite. E mesmo depois disso, ela ainda não conseguiu se adequar a nenhum tratamento que possibilite o controle da doença e uma melhora na qualidade de vida.

Alda conta que atualmente, aos 62 anos de idade, não está fazendo uso de nenhuma medicação para o tratamento da doença, pois todas as tentativas não tiveram sucesso: ou não ajudam no controle da hidradenite ou a fazem sentir- se extremamente mal, com muitos efeitos colaterais. Apenas em 2020 uma médica reumatologista que a acompanha, já que ela também tem Espondilite Anquilosante, indicou o Adalimumabe para tratamento da hidradenite. Porém, em decorrência da pandemia pelo novo Coronavírus fez com que a paciente não buscasse o tratamento, já que teria de depender do Sistema Único de Saúde (SUS). Algo que não a faz se sentir segura em relação à possibilidade de contrair a Covid-19.

Por isso, Alda vê como extremamente positiva a inclusão da terapia biológica para a doença nos planos de saúde. “A gente se agarra em qualquer esperança, principalmente quando você não tem mais o que esperar. Você tem que acreditar em alguma coisa para continuar. E hoje a minha esperança é a hora que eu conseguir tomar esse bendito desse remédio e ver se melhora a minha vida”, declarou.

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